quinta-feira, 15 de março de 2018

SÓ SEI QUE FOI ASSIM!

Numa semana de capacitação corporativa por esses dias, um dos temas propostos nas oficinas foi o de Língua Portuguesa.

Além da abordagem ser muito pertinente, tive dois aprendizados que me surpreenderam, não pelo fato apenas de se tratar das regras gramaticais que não me lembrava, mas também pela forma que isso me transportou a outras situações.

Foi muito curioso perceber que eu tinha alguns vícios de linguagem criados com o passar do tempo, que, de tão naturais que me pareciam, sequer imaginava que pudessem ser considerados errados. Por isso lembrei do filme "O Auto da Compadecida", onde o personagem Chicó, vivido por Selton Mello, todas as vezes que fazia uma narrativa, não encontrando explicação plausível para o porque dos “fatos”, encerrava com a célebre frase: Não sei, só sei que foi assim! Isso me fez ver que me condicionei a algumas coisas que não me dava conta, e sequer faziam sentido, pois sempre foram daquela forma. Já falamos algo parecido em outros artigos aqui, como o “Sorria, você está sendo filmado”, quando fazemos as coisas no automático.


´
*créditos

O outro aspecto foi que, por 3 vezes tentei entender o sentido de alguns exemplos de regras gramaticais que não queriam entrar na minha cabeça, e nas tentativas de perguntar ao palestrante - como gestor de pessoas e coach, que busca encontrar o sentido das coisas, para criar comandos internos que gerem mudanças de comportamento - eu só ouvia que regra é regra.  

:)

A partir disso, passei dias tentando me condicionar a decorar e pôr em prática as “novas” leis gramaticais, e comecei a fazer alguns ajustes na minha cabeça, entendendo a razão das regras até sentir-me convencido. Habituado como sou, a dar sentido às coisas que realmente fazem sentido, simplesmente não havia sentido algum em obedecer algo apenas por ser uma regra, enquanto não fizesse sentido pra mim. :)  Isso não é um texto terapêutico ok?

A ideia é ter um olhar mais profundo a respeito das coisas que nos cercam, sejam regras ou não. Que possamos dar sentido verdadeiramente a quem somos, e também às coisas que fazemos e desejamos; desta forma, nossa vida e nossa presença poderá fazer sentido também aos que nos cercam.  

Que bom que há espaço para todos! Os executores (só sei que é assim) e os questionadores (por que é assim?) podem encontrar novos sentidos e perspectivas para o dia a dia em sua vida social e profissional... com exceção das regras gramaticais, não é mesmo?  rs

*extraído do site: https://tenor.com/view/seltonmello-numsei-naosei-naumsei-sei-gif-4519687

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

POR QUE O PROIBIDO É MAIS GOSTOSO?

Essa pergunta me chamou atenção quando recebemos a proposta de refletir sobre o tema aqui no blog. Comecei a pensar se o proibido de fato é mais gostoso, e se for, até que ponto é mais gostoso. Pensei também: já que algo é considerado proibido, poderia ser tido como objeto de satisfação? Espero que tenhamos uma boa reflexão com um tema assim tão interessante. Vamos esmiuçar um pouco considerando a partir do conhecimento de causa, grau de envolvimento e consequências.

Pensando nas coisas em tese "proibidas" que atraem, sejam por questões positivas ou negativas trazendo o bem ou não (exemplo na alimentação, gula, bebidas ou vícios), outras que podem ser fruto de desejos mais íntimos como a cobiça e também aquelas que não desejamos nem nos chamam a atenção  por não fazerem parte de nosso dia a dia ou não termos nenhum envolvimento a respeito (vandalismo por exemplo), podemos pensar em 3 contextos.




Em primeiro lugar, situações em que temos um alto grau de informação sobre o que está acontecendo e um envolvimento direto da nossa parte. Coisas triviais, como comer mais do que devia quando nos deparamos com aquela pizza fantástica no sábado à noite, ou beber alguns copos de álcool além da conta, mesmo com conotação negativa ou possibilidades de dano, não nos trazem grande preocupação por serem eventos que "controlamos", dado o contexto que está no nosso grau de conhecimento e domínio. Assim sendo, mesmo que estejamos indo para uma zona de limite, o que pode parecer proibido; se sentirmos que temos controle, envolvimento e conhecimento suficientes da situação, tornará o usufruto daquilo "mais gostoso".


O segundo ponto, são aquelas situações mais íntimas e que talvez seja mais difícil de arriscarmos. Nelas somos tentados pelo baixo nível de exposição e alto nível de prazer. São aquelas que não temos um grande comprometimento ou envolvimento, nos deixando curiosos sobre aspectos que queremos desfrutar. Nosso pouco grau de conhecimento a respeito, faz-nos querer avançar, trazendo a sensação de controle e aventura a cada passo dado. Desta forma, nos envolvemos mais para aumentar nosso prazer, conquistando o novo território, e aumentando nosso poder sobre a situação. O proibido passa a ser desafiador, e quanto mais autonomia se conquista, mais se quer avançar independente dos limites, pois o prazer obtido acaba por estimular e reforçar esse avanço

Por fim, pode ser que nem sejamos tentados por algumas coisas proibidas, como avançar um sinal de trânsito, ou pichar um monumento público, pois não estão contextualizadas com a nossa maneira de ser, e temos pouco ou nenhum envolvimento com essas ações. Assim, não exploramos aquelas situações que fogem ao nosso contexto e não nos dão prazer ou sensação de liberdade. Para aqueles que realizam estes feitos, pode-se dizer que o proibido é mais gostoso, dada a realidade e expectativa vividas do prazer transgressor,  relacionadas com sua inteligência emocional e contexto econômico e social, fatores que indicariam um estudo à parte. Vale ressaltar que aqui não estamos fazendo uma abordagem moral, apenas explorando um pouco esse tema tão curioso.
Qual o meu grau de conhecimento sobre a situação que desejo vivenciar?Qual o meu grau de exposição e de terceiros nesta situação?
Qual o meu grau de envolvimento nesta situação?
Qual o meu grau de controle sobre esta situação?

Pensando nessas perguntas, cada um de nós vai saber que o proibido para um, pode não o ser para outro. Dependendo de como nos envolvemos com a situação desejada nos aspectos de conhecimento, domínio e consequências previstas, saberemos se de fato o proibido pode se tornar "mais gostoso" ou então, provocar uma amarga experiência.

Até a próxima.

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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

ENTRANDO NUMA FRIA

Foi essa a sensação que tive depois de pedir a alguns amigos que sugerissem temas para refletirmos no blog. Tive a melhor das intenções ao sugerir isso, porém quando o pessoal começou a responder, fiquei inseguro e senti aquele frio na barriga. Sabe quando você toma uma decisão e de repente pára pra pensar se fez a coisa certa? Foi um retorno incrível, com propostas de diversos temas curiosos, e as complexidades por trás de alguns deles realmente me desafiaram.

A partir desta experiência, imagino quantas são as situações em que temos segurança nas nossas escolhas, e não observamos se realmente temos condições de arcar com elas, sejam projetos, entrevistas de emprego, relacionamentos, um bem que pretendemos adquirir, ou mesmo uma receita culinária.




Será que é suficiente apenas boas intenções? Lembro que certa vez fizemos um projeto corporativo que tinha grandes chances de sucesso, e numa das reuniões sugerimos pensar nos riscos que correríamos em caso de crescimento desenfreado. Sabe quando o projeto, ideia ou situação cresce a tal ponto de se perder o controle e acaba-se não tendo mais suporte para tudo aquilo? Então, é mais ou menos por aí. :) Passado um tempo, percebemos que "demos um tiro no pé", como alguém tentou prever. O projeto não era mais sustentável a partir de determinado momento, e então foi finalizado por mais promissor que parecesse.

Estaremos prontos para nos responsabilizar pelos nossos próprios desafios? Vale pensar como pode ser a reação do outro lado? Conseguiremos lidar com situações que irão além do nosso controle, ainda que nossas intenções sejam as melhores? "Entrei numa fria"ou "dei um tiro no pé" podem ser frases que venhamos a repetir um dia se não formos cuidadosos e não estivermos preparados.


Ah, sobre os temas sugeridos, nos próximos posts ok? :)


Demétrius Rocha

sábado, 1 de julho de 2017

FUNCIONAR NO AUTOMÁTICO VALE A PENA?

Tem coisas que parecem tão simples, mas só nos damos conta do que são ao perceber a reação do outro.

Um dia desses fui a uma consulta, e notei que cada pessoa atendida no momento do cadastro pela secretária, era informada que deveria olhar para a câmera. Fiquei curioso pois não tinha visto isso dentro de um consultório, mas na própria recepção ou portaria do prédio, onde já havia passado. Pensei qual seria a razão de olhar para a câmera, sendo que notei pelo reflexo da parede atrás dela, que a imagem do paciente aparecia preenchendo toda a tela, tornando mais do que possível a identificação. Pensei que seria uma oportunidade de aprontar uma "pirraça" como diria minha mãe.

Após uns minutos, já sentado à frente da senhora que me atendia, em dado momento:
_ Olhe para a câmera por favor.
_ Desculpe, mas... porque olhar para a câmera?
Ela arregalou os olhos e seu tom tornou-se ácido.
_ Olhe para a câmera por favor, senhor.
_ Minha imagem está aí senhora. A senhora pode tirar a foto.
_ Se você não olhar para a câmera, “o sistema” não aceita e não grava sua imagem.
_ Pode tirar a foto por favor.



Fiquei em silêncio, e não quis olhar para o buraquinho da câmera que nunca identifico e sempre me deixa vesgo nas fotos ou então com o olhar de quem parece estar em outro mundo. J Esse era o meu motivo, mas ela não precisava saber. Estava provocando-a, mas de uma forma bastante educada. Notei que ela simulava algum problema técnico apertando botões inexistentes - lembra do reflexo da parede de vidro? - e virando e batendo a câmera como se estivesse com algum parafuso solto. Era mais importante validar o seu discurso naquele momento, do que dar importância ao que de fato importava, ou seja, fazia sentido aquilo?

Isso me fez lembrar quando tenho atitudes que são corriqueiras, como entrar em casa e acender todas as luzes de todos os cômodos, deixar a torneira aberta enquanto escovo meus dentes, ou passar por toda a equipe da empresa que trabalho sem olhar nos olhos de ninguém quando chego sempre atrasado; ou ao visitar meus pais, não percebendo que passo mais tempo no celular do que perguntando como foi a semana. 

Todos nós realizamos ações no dia a dia que talvez não façam o menor sentido, e simplesmente não percebemos por estarmos no “automático”, e só nos daremos conta, quando então alguém nos questionar a respeito.

Será que minhas ações, embora tão naturais e óbvias para o meu jeito de funcionar, são as melhores? Será que posso aprimorar ou evoluir coisas que não percebo, se refletir a partir de pequenas observações?

Após ser atendido pelo médico, tive que passar na recepção novamente para pegar alguns documentos e enquanto aguardava, percebi que ninguém mais precisava olhar para a câmera ao cadastrar-se. Pelo menos naquele momento, ou dia, não se sabe.

No final, não sei bem o que aquilo significou para a senhora da recepção. Mas pra mim, trouxe um grande aprendizado ao imaginar-me no lugar dela com alguém perguntando o porque de eu fazer/ser/ter isso ou aquilo. Muita coisa fez sentido pra mim naquele dia.

Demétrius Rocha

quinta-feira, 25 de maio de 2017

"Liberdade para se falar tudo e responsabilidade em tudo o que se fala".

Muito interessante a chamada da semana passada num periódico conhecido da ANER (Associação Nacional de Editores de Revistas), que dizia algo parecido com o tema de hoje.

Temos falado muito em sala de aula, principalmente para o pessoal de ADM e Gestão da Qualidade, sobre o que chamamos de repertório.


Nos dias de hoje somos bastante habilidosos com a liberdade que temos para falar tudo o que nossa mente abriga. Às vezes nos tornamos mestres para criticar posições contrárias às nossas e temos na ponta da língua as respostas prontas antes mesmo das perguntas aparecerem. Somos estimulados pela concorrência da empregabilidade a ter um discurso que demonstre quão preparados estamos para os desafios e possibilidades. Afinal, quem melhor que nós para falar de futebol, política, direitos humanos ou “dos manos” como já se ouviu por aí? Quem melhor que nós para prontamente tecermos comentários sobre tudo e todos? Somos rápidos em chamar alguns de fascistas, machistas, feministas e um tanto de outros “istas” que podemos escolher na tabela que vamos usar no dia.

E depois de fazermos uso de toda essa liberdade num mundo de infindas possibilidades, onde jogamos nossas palavras para o universo se virar com elas, o que de fato fica?

Existe uma situação que  pode nos salvar de tropeçarmos naquilo que falamos e nos livrar do auto engano quando não sustentamos nosso discurso. Algo capaz de tornar as coisas diferentes de maneira eficaz. Por isso que compartilhamos a ideia da ANER, como ponto de partida pra falar do já citado repertório.

Sem repertório não somos capazes de opinar verdadeiramente e corremos riscos de nos tornarmos vazios e embalados por frágeis cascas. Sem ele, não conseguimos enfrentar situações cotidianas para fazermos diferença. Sem repertório não passamos de pessoas gritando no meio das manifestações, ou contando histórias tristes exigindo mudanças políticas e sociais através de discursos tão rasos quando uma poça d’agua.

Sem repertório podemos nos tornar irresponsáveis.

Infelizmente estamos abarrotados de discursos "poderosos", porém sem profundidade de conteúdo nos dias de hoje em meio a tanta coisa, onde a liberdade de expressão faz-nos parecer corretos. Já que se pode falar muito, infelizmente o muito que acabamos falando, não poucas vezes, acaba se tornando descartável.

Repertório é experiência de vida. É observação também. Repertório é silenciar na hora certa para observar os acontecimentos ainda que seja um exercício difícil. É também leitura acadêmica, social, ficção, cultural, histórica, e o que mais tivermos acesso. Repertório é olhar para uma sociedade em transformação e ver que ela não está apenas evoluindo, mas involuindo em inúmeros aspectos. Aquele conselho que recebemos de nossos pais desde o colo até hoje; uma conversa com um amigo, um olhar ofertado ou recebido também são repertório. Repertório é observar as informações que a mídia nos traz e criarmos senso crítico a respeito. Repertório é usarmos jargões como “Fora Dilma/Temer”, “Foi/Não foi golpe”, “fascistas, facínoras, preconceituosos, machistas, feministas” - que adoramos gritar nos últimos tempos - e para cada uma destas definições, termos um dicionário ao nosso lado além do google, e pesquisar as origens e aspectos históricos dos movimentos sociais/políticos que criaram tais eventos. Repertório é nos conhecermos, ter compreensão do que falamos e saber qual a relação que aquilo tem com conosco, nosso meio, a sociedade e se o que falamos tem impacto positivo ou negativo, se é sustentável ou não.

Não adianta existir o poder da fala/retórica/discurso, se não existe o poder do repertório. O mundo está repleto de irresponsabilidade e corremos o risco de nos tornarmos papagaios de pirata que repetem discursos que soam atraentes, mas não se sabe nem se entende o que dizem na verdade. Sejamos diferentes de fato, responsáveis porque sabemos o que falamos, para quem e quando necessário, e não estimulados pela necessidade de afirmação que essa “liberdade” fantasiosa nos propõe. Abrir a boca sem repertório pode ser escravidão e irresponsabilidade, e não liberdade.



Talvez faça sentido, começarmos a utilizar o gloogle acadêmico além do google, onde corremos o risco de considerar qualquer informação de qualquer fonte uma verdade absoluta. Que entremos num sebo, sintamos o cheiro da história, toquemos nos livros e compremos aquelas coleções antigas dos pensadores - os chamados pocket books - além de apenas ficarmos conectados aos nossos smartphones durante tanto tempo. Que observemos a genialidade do Davi de Michelangelo, com seus mais de 5 metros de altura, e está exposto ao mundo há mais de 500 anos, da mesma forma que fazemos com os filmes hollywoodianos que tanto adoramos. Que pesquisemos as fontes e veracidade das informações recebidas e leiamos as matérias, analisemos os áudios e vídeos que disparamos todo o tempo indiscriminadamente sem chegar ao final do conteúdo, no lugar de apertarmos qualquer botão de compartilhamento. Que lembremos que o diário de Anne Frank é a história real de uma menina judia que aos 16 anos morreu no holocausto além de nos divertirmos com a deliciosa comédia O Diário de Bridget Jones. Que conheçamos a história por trás dos retratos do Prêmio Pulitzer sobre a realidade nua e crua  do mundo, com a mesma importância que damos às nossas inúmeras selfies do dia a dia. Que lembremos da história da indústria automobilística brasileira através da infelizmente falida Gurgel, fundada no início de 70, ao ver o desfile dos importados em nossas ruas nos dias de hoje. Que descubramos que Beethoven num período de 30 anos perdeu progressivamente sua audição e conseguiu fazer o que fez na música, no lugar de repetirmos coros de traição e apologias ao sexo fácil nas músicas que somos tão estimulados a consumir nas nossas festas. Que aprendamos que atitude é uma movimentação interna que vem a partir dos valores construídos e auto conhecimento para nos conduzirmos com prudência, sabedoria e estratégia nas situações, no lugar de chamar quem pensa diferente de nós, de recalcados, mandando beijinho no ombro com nossos olhares altivos.


Nossa sociedade será grande, nossas almas nobres e nossa condição de transformar o mundo será ilimitada, se usarmos nossa liberdade de falar... desde que tenhamos repertório. Caso não, seremos apenas papagaios de pirata e mestres em reproduzir discursos rasos ou vazios.

Demétrius Rocha

terça-feira, 21 de março de 2017

SUA VONTADE É MAIOR QUE SUA APTIDÃO?

Boa parte de nós possui desejos remotos e íntimos, que não passam de vislumbres por parecerem muitas vezes inalcançáveis. Se pararmos para pensar, parece que nossa capacidade de realização é tão pequena que aquilo jamais vai acontecer e acabamos por abandonar nossos projetos e sonhos. As vezes por conta disso é mais fácil pensar que isso ou aquilo não é pra mim, e sim para outro tipo de pessoa, ou então que não nasci pra ter, ser ou fazer o que desejo. Essas manifestações são formas de trazer tristeza, insatisfação e até sofrimento, e muitas vezes justificarem nossos fracassos.

E se você soubesse que existe uma maneira das coisas ficarem mais fáceis?




Todos nós somos sementes ou mudas com grande potencial de nos tornarmos árvores. Isso vem de Aristóteles quando fala em potência e ato. Potência é toda a força interna capaz de gerar movimentações externas (atos) que nos condicionam a realizar aquilo que desejamos. Por isso vem frase: Toda semente é uma árvore em potência. Mas toda semente/muda será uma árvore? Certamente que não. Porém, que toda árvore foi semente um dia, isso é certo! Então se sua vontade é maior que suas condições de realização, estamos falando da sua potência. Mas a potência não vai funcionar sem o ato. Que tal olhar para a sua aptidão e esquecer dos sonhos por um tempo? Que tal olhar para o que precisa ser olhado hoje, e ver o que deve ser mudado, melhorado, aprimorado ou deletado para reforçar suas aptidões e condições de realização? Capacitar-se é o primeiro passo para a aptidão. Torne-se apto para realizar suas vontades e desejos trazendo-os cada vez mais pra perto de você.

Estamos preparados para aquilo que desejamos e sonhamos? Consigo chegar ao 10º degrau de uma escada sem passar pelo 1º, 2º andar e assim por diante? Posso pular degraus? Será que consigo sucesso se pular direto do 6º para o 10º? Quem sabe seja o momento de você fortalecer suas crenças e preparar-se solidamente para a conquista dos desejos se tornando apto com um passo de cada vez.

Se sua vontade não é inclinada para determinada coisa, sua potência não é aquela. Então não se preocupe e deixe de lado o que não faz sentido. Se suas vontades são permeadas por desejos que tragam níveis de satisfação interna, elas indicam a sua potência, então vale pensar a respeito.

As coisas grandes não são fáceis de serem alcançadas. Não se pode querer ser um executivo ou executiva de uma grande empresa se mal souber lidar com a língua portuguesa e não aprender a relacionar-se com as pessoas. Se não buscar aperfeiçoamento acadêmico e especialização nas minhas competências e comportamentos, como posso estar apto para aquilo que desejo?

Por causa da minha inaptidão, vou dizer que aquilo não é pra mim em vez de me condicionar para chegar lá? Como eu, que preciso aprimorar meu relacionamento e desejo de evoluir, vou ter sucesso, se não buscar aproximar-me das pessoas e interagir socialmente, dando pequenos passos me sentindo confortável para avançar?



A pergunta se repete: Nossas vontades são maiores que nossas aptidões? Ótimo, o primeiro passo já está dado se reconhecermos que sim. Temos vontades e desejos (potência) e faremos que nossas aptidões (atos de capacitação) sejam trabalhadas para serem tão fortes quanto elas. Quando isso acontecer - nossas aptidões crescerem na mesma proporção de nossos desejos - teremos avançado tanto que, as conquistas acontecerão naturalmente e nós estaremos preparados para as próximas.


Demétrius Rocha

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

MEXE OU DEIXA COMO ESTÁ?


É provável que você tenha ouvido que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, ou santo de casa não faz milagre, e também é melhor não mexer para não piorar.
Existem dois pontos interessantes que podemos observar aqui sobre o último jargão. Vamos falar um pouco sobre responsabilidade e omissão.

Pensando em responsabilidade, podemos imaginar uma situação qualquer que pode acontecer de forma negativa. Quem sabe somos os causadores de determinado problema ou estamos contribuindo para ele permanecer, seja consciente ou não. Pode acontecer por exemplo uma falha de comunicação dentro da empresa, onde não nos atentamos a algum detalhe e todo um processo pode ser comprometido trazendo transtornos desnecessários. Lembro de um case numa remarcação de provas de uma faculdade para a semana seguinte, e os alunos não foram informados integralmente em tempo hábil, gerando um grande transtorno e boa parte compareceu no dia da prova cancelada; alguns vindo de outra cidade inclusive. Podemos imaginar uma promessa ou comprometimento de uma ação que foi esquecida, uma reunião que precisou ser remarcada e passou despercebida ou aquele retorno da ligação de uma demanda importante que a outra parte espera até hoje. Naturalmente no dia a dia com a família e amigos também, podemos gerar situações que causem impactos negativos e atrapalham nossa convivência. Em alguns casos pode até ruir aos poucos o grau de confiança e credibilidade das pessoas a nosso respeito.

Afinal de contas, há algum culpado quando essas coisas acontecem?  

Talvez o ponto de partida seja analisar o seguinte: Depende do nosso grau de envolvimento com a situação, e qual a possibilidade de sermos agentes de mudanças para resolvê-la.

Omissão é saber que posso e preciso fazer algo diante de um problema, e me nego a fazê-lo. Ao presenciar uma situação que percebemos que foi mal interpretada por uma das partes e pode gerar desconforto ou consequências graves, será que vale a pena interagir com um espirito colaborativo?  Quando vemos que algum colega de trabalho não se atinou a algo importante, vale a pena de forma sutil abordar a situação e tentar gerar uma reflexão? Se for um liderado nosso, talvez seja fácil, mas se for um par, ou então um líder, como fazer?


Não estamos deixando de reconhecer que existe também outro jargão, o clássico “cada um no seu quadrado”. Sabendo que podemos ser tidos como intrometidos ou inconvenientes, é melhor então deixar que o “barco afunde”, sendo mais seguro pra gente apenas “assistir de camarote” ou buscar aprimorar nossas habilidades de comunicação e pro-atividade? Será que vale a pena uma boa ação, lembrando que podemos amanhã passar por uma situação parecida como a que hoje apenas observamos? 

Felizmente ou infelizmente, já passamos e passaremos por situações assim na vida. Certamente você se lembra que devia ter “ficado na sua” em alguma ocorrência do passado, pois decidiu se envolver e o resultado não foi muito legal. Talvez lembre-se de outros casos em que pensou: Ah, eu poderia ter feito alguma coisa no lugar de ter me omitido! Quem sabe então passe pela sua cabeça: Se eu tivesse alguém para me orientar naquela ocasião, era tudo o que precisava, e as coisas poderiam ter sido diferentes!

Antes de falarmos "deixa como está, melhor não mexer"; quem sabe valha a pena a auto reflexão: Tenho algum grau de responsabilidade sobre isso? Se sim, preciso colocar as coisas em ordem e assumir o erro com humildade, fazer os ajustes e seguir o caminho de forma mais prudente. De outra forma, posso estar sendo omisso, sabendo que há algo que pode ser feito para mudar a situação? De que forma posso contribuir sabendo que as consequências negativas podem ser evitadas?

Te convido a refletir se suas intenções forem genuínas verdadeiramente, aí sim, espalhe seu espírito participativo e colaborativo deixando sua marca. Por outro lado, se seu envolvimento com as pessoas for apenas por conveniência e omissão nos períodos difíceis, você não terá condições de fazer diferença se a coisa acontecer, seja positiva ou negativamente, e sua presença e pessoa não será notada. Quem sabe valha a pena estimular e desenvolver valores num processo evolutivo que torne nossa presença marcante como quem está ali para fazer a diferença, no lugar de ver o barco afundar. Desta forma, nós e as pessoas que nos cercam só terão a ganhar.


Demétrius Rocha
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

COACHING MENTORING E COUNSELING

Conheça a aplicação da metodologia.



Aprenda um pouco como funcionam os 3 pilares que movimentam a nossa missão.

(Contamos com sua compreensão dado que nos primeiros minutos ocorreram problemas com o áudio do equipamento). 

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terça-feira, 16 de agosto de 2016

QUANDO AS COISAS SAEM DO CONTROLE...


Por esses dias participei de um encontro onde trataria do tema comunicação, um tema relativamente corrente no mercado.

Cheguei 40 minutos antes, sem saber que ali eu passaria por um teste que colocaria à prova um grande valor meu (ou fraqueza) que é um enorme esforço para garantir que as coisas saiam dentro do esperado. Por problemas de "comunicação" e logística, o pessoal da recepção me enviou 3 vezes para lugares errados, e em cada uma delas eu deveria pegar o elevador novamente, descer, e me identificar na portaria para depois ir para outro lugar. Enquanto isso o tempo passava e de repente comecei a ficar ansioso ao perceber que eu tinha apenas 5 minutos para chegar ao auditório e já trocava mensagens via watsapp com o cliente preocupado sem saber onde eu estava que até enviou alguém ao meu encontro, mas não conseguiu me localizar.

Após o contratempo das idas e vindas de 40 minutos, cheguei ao auditório, porém o café já havia terminado e os participantes estavam acomodados aguardando. Não tive tempo de interagir com a equipe. Foi uma loucura. Ainda que o clima estivesse super descontraído e satisfatório, internamente eu estava totalmente desconfortável. Ali estava passando por um teste de uma forma muito desafiadora, senão dura até, onde só eu sabia como estava me sentindo. 

Entreguei o pendrive ao pessoal da mídia, sem saber se havia alguma configuração que precisasse de ajustes naquele equipamento. Precisava ir ao banheiro, lavar o rosto, relaxar um pouco, respirar, tomar uma água e... precisava de tempo! Mas não havia mais tempo pois era chegada a hora e já estava diante de todos. Aquele dia havia começado difícil e nenhum treinamento de gestão de tempo iria me socorrer naquele momento. Comecei a apresentação descontraído, quebrando o gelo, mas ainda ansioso e ofegante porque as coisas estavam dando errado e totalmente fora do que eu planejei, diria até que estava inconformado. Eu transpirava por conta da correria, mas meu paletó ajudava a esconder. Em dado momento a apresentação do projetor mostrou um problema de configuração dos slides que eu teria visto se conseguisse chegar a tempo e, pra completar, notei o cadarço do meu sapato desatado.


A ideia desta reflexão é imaginar como podemos ou devemos nos portar diante de um vendaval de acontecimentos que nos soam negativos e que impactam fortemente nosso planejamento e o resultado dele. Principalmente sendo uma ironia do destino eu falar de Comunicação naquele dia e estar passando por algo diretamente relacionado ao tema que me intrigava muito ali.

O que fazer? Manter a linha, fingir que nada está acontecendo? Disfarçar alguns sorriso e tentar buscar todas as técnicas possíveis de controlar o desconforto emocional gerado? Nesse momento o que eu poderia fazer com a minha vontade de ir ao banheiro que aumentava? A apresentação do monitor que estava desconfigurada? E minha necessidade urgente de um copo de água? Sem contar o cadarço que a qualquer momento poderia me fazer tropeçar na frente de todos enquanto andava de um lado para outro.

O que fazer quando as coisas saem do controle? Ou seja, quando os eventos/cenários/pessoas/situações são mais fortes que nossa condição de preparo para lidar com aquilo tudo. Qual a melhor forma de agirmos e reagirmos para melhorar as coisas, ou às vezes torná-las menos pior?

Cada um de nós tem uma reação para qualquer dessas situações que nos "tiram do eixo" ou nos deixam de "saias curtas". 

Em meio ao incômodo e ao me ver sem saída, precisava ali reconhecer uma situação de fragilidade e assumi-la diante da adversidade. Talvez fosse um bom caminho por mais difícil que parecesse, pois para mim, uma pessoa que tende a ser controladora e garantir que tudo dê certo, era uma das piores situações acontecer aquilo, naquele grupo e naquele lugar. 

Pensei se fazia sentido estar confiante e confortável com aqueles que me convidaram, esperaram por mim e confiaram na minha participação. Era essa a chance que eu tinha de me libertar daquele desconforto enorme. Eu tinha que contar com eles, os participantes convidados!

Pedi licença aos presentes para me sentar numa cadeira à frente pois precisava amarrar meu cadarço e ali comecei um pequeno papo sobre o que fazer quando as coisas saem do controle. Convidei-os a imaginar como se sairiam numa situação daquelas e com quem poderiam contar se precisassem de ajuda. Expliquei brevemente o problema logístico colocando-os comigo no cenário, falei sobre o desconforto da configuração do projetor PPS/PPT e assim discorremos sobre as surpresas daquela manhã. Um rapaz muito gentil me trouxe água e me presenteou com uns dos melhores goles que tomei na vida. Tivemos um excelente momento de descontração e interação e me senti muito mais leve e fui bastante acolhido e seguimos os trabalhos e a palestra teve ótimos resultados para todos nós. Só lembrei que precisava ir ao banheiro ao final de tudo.

Foi muito duro confrontar meu "poder de manutenção e controle" com os eventos externos. As coisas não giram dentro das minhas perspectivas e sim dentro das perspectivas delas mesmas e sempre vamos encontrar o inusitado e imprevisto. Porém, como reagir quando essas surpresas vierem com força negativa?

Quando as coisas saem do controle, lembremos que não é sempre que temos o poder sobre tudo e todos. Busquemos ser humildes reconhecendo nossa fragilidade diante do cenário ainda que tenhamos nos preparado ao máximo para tudo dar certo. Se ali as coisas saíram diferentes, é porque simplesmente tinham que ser diferentes e não do jeito que queríamos. Precisamos aceitar algumas "surpresas" quando estão além das nossas forças e ficarmos em paz pois o aprendizado virá após o vento passar. Busquemos isso. Vale pedir ajuda reconhecendo que sozinhos não conseguiremos fazer nada. Algumas vezes precisaremos de braços, outras de abraços, ou ainda que apenas um copo com água que cairá do céu e pode vir de mãos totalmente inesperadas.

Ah, sim, ainda que não lembre de sua fisionomia, o rapaz que me trouxe água chama-se Marcelo. Obrigado Marcelo!


                                                                                                                                    Demétrius Rocha

quinta-feira, 28 de abril de 2016

O FILHO PRÓDIGO. CONSEQUÊNCIAS DA INCONSEQUÊNCIA.

Boa parte de nós ouviu falar da parábola do filho pródigo.

Inspirado na obra de Henri Nouwen com o tema desta reflexão, vemos o grande ensinamento que esse livro nos traz.

O holandês Rembrandt (1606-1669) foi um impressionista fora de época. Contemporâneo do período Renascentista, considerado um dos maiores nomes da história da arte europeia, retratou de forma excepcional dois momentos vividos pelo filho mais novo do conto que perdura já 2 milênios.

Lembrando brevemente, a parábola trata de um homem muito rico do oriente médio que possuía dois filhos. O mais novo pede sua parte da herança ao pai, com o desejo de sair pelo mundo desfrutando suas descobertas e independência para viver livre como sempre desejou. O pai atende seu pedido concedendo-lhe sua parte da herança, de forma que o filho então vai embora deixando tudo para trás em busca de suas vontades.


A primeira imagem trata-se da obra Filho pródigo na taverna, de 1635 onde Rembrandt retrata a si mesmo como o filho mais novo logo após ter recebido a herança de seu pai ainda em vida, desfrutando dos prazeres de um bordel, acompanhado aqui da personagem feminina que retrata sua esposa Saskia. É inegável a capacidade de mostrar quão satisfeito o filho mais novo estava tão logo começou a usufruir os benefícios de estar endinheirado, tendo a seu favor todas as suas vontades satisfeitas como sempre desejou.

Podemos observar aqui, que de fato o objetivo que tinha bastante definido tempos atrás, por meio de decisões tomadas, fora alcançado. Aqui vemos o seu resultado esperado.

Porém, num espaço de quase 30 anos, Rembrandt, retrata um segundo momento daquele personagem que começara com sua vida feliz e totalmente satisfeita enquanto desfrutava do alcance de seus objetivos. De forma totalmente inesperada, não fosse conhecermos a parábola e seus resultados, vemos um cenário bastante diferente.

A obra A volta do Filho pródigo, de 1662 nos faz ver uma grande diferença daquele filho altivo, decidido que se tornou tão independente. Aquela figura da taverna de décadas passadas não existe mais. O que vemos ali é um jovem que outrora sustentava sua vasta cabeleira encaracolada vestido de plumagens e roupas ostensivas frequentando os melhores e mais caros lugares, agora, ajoelhado diante de seu pai, com seus cabelos raspados, pés sofridos à mostra e coberto com panos que deixavam longe qualquer impressão luxuosa do passado.


O que aconteceu nesse intervalo de 27 anos? Qual o fruto das escolhas que o filho mais novo realizou? Como as decisões tão assertivas que tomou puderam resultar num estado tão deplorável? Sabemos que a parábola descreve que o rapaz gastou tudo o que tinha, entrou num processo de declínio chegando ao ponto de alimentar-se com os porcos de seu patrão, quando então um dia, decidiu voltar pra casa.

Hoje podemos pensar não somente no resultado das escolhas deste personagem, que no primeiro momento não podia supor suas consequências pois o objetivo era se dar bem nas suas decisões. Vale refletir no ANTES.

Quais foram os aspectos motivacionais que levaram o filho mais novo a romper com sua família, seu pai e irmão mais velho, exigindo a parte que lhe cabia da herança? Pensemos nos fatos geradores que levaram-no a optar pela “morte antecipada de seu pai” para usufruir de algo que ainda não era chegada a hora. A posse antecipada da herança sugere a independência e amadurecimento precoce do filho, quando no lugar das coisas acontecerem dentro do curso natural na relação de tempo e espaço que é diferente para cada ser humano, ele preferiu por conta própria, acelerar processos. Criando situações estratégicas altamente seguras, tomando decisões para que nada escapasse ao seu controle e conseguir o que desejava que era sua herança, então partiu.

Estava o filho mais novo pronto para partir após largar tudo? Tinha ele maturidade suficiente para ser tão independente quanto pensava? Tinha compreensão e sabedoria suficiente para administrar seu dinheiro, tempo e decisões para que seu objetivo perdurasse de forma esperada mantendo-o independente pelo resto de sua vida?

Parece que não.

Quem sabe poderia ele fazer experimentos, tirando curtos períodos de férias, e aos poucos ir se descobrindo.

Quantas vezes agimos como o filho mais novo da parábola e fazemos a mesma coisa. Quantas vezes temos preocupações em realizar nossas vontades imediatas utilizando todos os recursos que estão a nosso favor hoje, sem saber se eles estarão disponíveis amanhã. Quantas vezes rompemos nossas relações em troca de corrermos loucamente atrás daquilo que parece ser mais atrativo e rápido? Quanto tempo dura a satisfação de nossas escolhas quando não consideramos o zelo e proteção trazidos de nossa família e pessoas que nos amam?

Será que faz algum sentido, esperarmos o tempo natural de algumas coisas acontecerem, enquanto amadurecemos diariamente, nos planejando, criando planos, analisando e observando, para assim tomarmos decisões?

Para cada um de nós ficam mais algumas perguntas: Quais são as consequências das nossas inconsequências? Teremos que esperar 27 anos para saber? Será que teremos a chance de, se voltarmos atrás encontrar o abraço do pai e começarmos de novo?

Será?

Demétrius Rocha