quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O MAIOR EQUILIBRISTA DA HISTÓRIA.


A fantástica história do maior equilibrista de todos os tempos, o francês Jean François Gravelet-Blondin, ou simplesmente Charles Blondin (1824-1897) nos traz uma referência de autoconhecimento que pode ser representada como fé em si mesmo e também a fé no outro.

Alguns conhecedores da história vão lembrar que “O grande Blondin” foi o precursor da travessia do desfiladeiro Niagara na fronteira américo-canadense, fazendo inúmeras performances a 50 metros de altura, num trajeto de 340 metros em cima de uma corda bamba de apenas 8 cm de largura. Ele fez a travessia de olhos vendados, sentou-se no meio do caminho à mesa numa cadeira com apoio de um pé apenas enquanto fazia um omelete e o degustava. Blondin também usava pernas de pau e até mesmo atravessou a corda dentro de um saco.

A reflexão vem através de uma dessas incríveis experiências, quando Blondin fez sua travessia com um carrinho de mão de olhos vendados, novamente diante de milhares de expectadores. Ao terminar aquela travessia, após mais uma apresentação de tirar o fôlego de qualquer um e ser ovacionado, curiosamente e de forma inusitada, ele então pergunta à multidão:

-Vocês acreditam que sou capaz de atravessar esse carrinho novamente com uma pessoa dentro?
-Sim, sim !!!!!
-Então, quem será o voluntário?

O silêncio e as trocas de olhares de tantos certamente trouxe a resposta. Percebia-se ali que não havia ninguém que se voluntariasse assumindo os riscos de confiar em outro que demonstrara tanta confiança durante inúmeras situações. Afinal, não merecia Blondin, uma demonstração de confiança de tantos de seus admiradores?

Como podemos entender uma situação desta, em que a fé que temos em nós mesmos não significa exatamente que as pessoas também irão acreditar em nós? Ainda que tenhamos um grau enorme de validação e resultados que confirmem nossa alta performance, estejamos preparados se eventualmente não encontrarmos quem aceite entrar no carrinho de mão conosco. 

Corporativamente não é sempre que as pessoas estão dispostas a assumir riscos como Charles Blondin, fazendo suas travessias, se expondo e criando situações impactantes a ponto de mobilizar o ambiente e os demais que as cercam. As vezes temos que lidar com meros expectadores, especialmente quando assumimos posições arriscadas como tomadores de decisão de alto impacto. Você já se sentiu assim como Blondin, sendo admirado por muitos, mas não encontrando pares e pessoas que aceitassem desafios como você aceita, preferindo serem expectadores do que participantes do show? Certamente que sim, todos nós passamos por isso.


Porém, há uma outra surpresa. Menos de um mês depois, o equilibrista fez a mesma travessia do Niágara com uma apresentação que superava todas as outras; desta vez com o próprio empresário nas suas costas. Quem melhor que o empresário, a pessoa de maior nível de confiança e credibilidade naquele momento para validar o que havia acontecido? Haveria alguém depois disso, que pudesse questionar a capacidade de superação transformadora do Grande Blondin? Ali vemos a fé de alguém sobre outra pessoa numa situação da qual ela não tem controle, mas aceita simplesmente ir junto, como fez o empresário.

Mantenha-se firme no seu caminho, olhando fixamente para o horizonte, equilibrando-se como fazia Charles Blondin. A vida é assim, Haja o que houver, não olhe para os lados, e seja fiel à fé em você mesmo e em seus valores. Na hora certa chegarão aqueles que farão parte do espetáculo com você.

Demétrius Rocha

terça-feira, 3 de novembro de 2015

ALTA PERFORMANCE EM PROCESSOS ESTRATÉGICOS.

Procurei os créditos deste conto, porém, ainda que não tenha encontrado, podemos observar uma grande lição na moral da história.



Filho, escolhi uma ótima moça para você casar.
_ Mas pai, eu prefiro escolher a minha mulher.
_ Meu filho, ela é filha do Bill Gates
_ Bem neste caso eu aceito.

Então o pai negociador vai encontrar o Bill Gates.

_ Bill, eu tenho o marido para a sua filha.
_ Mas a minha filha é muito jovem para casar.
_ Mas esse jovem é vice-presidente do Banco Mundial.
_ Neste caso tudo bem.

Finalmente o pai negociador vai ao Presidente do Banco Mundial.

_ Sr. Presidente, eu tenho um jovem recomendado para ser
VP do Banco Mundial.
_ Mas eu já tenho indicados, inclusive mais do que o necessário.
_ Mas este jovem é genro do Bill Gates.
_ Neste caso ele pode começar amanhã mesmo.

Moral da história:

Não existe negociação perdida. Tudo depende da estratégia.

Demétrius Rocha

terça-feira, 4 de agosto de 2015

ME EMPRESTA UMA CANETA? REAÇÃO EM CADEIA.

Estava ouvindo com muita atenção Irland naquela manhã de domingo quando nos reunimos em um pequeno grupo pra um bate papo sobre o tema do dia. As abordagens eram bem interessantes, dadas as associações que nos transportavam com muita habilidade para suas metáforas.


Então alguém me toca nas costas perguntando se eu tinha uma caneta. Pedi que esperasse, pois como naquele momento eu não tinha uma caneta para dispor, iria verificar com o senhor da cadeira à minha frente. Perguntei a ele, que gentilmente me cedeu a caneta e passei à senhora atrás de mim. Notei que tão logo ela recebeu a caneta, fez o mesmo passando-a para outra pessoa atrás de si, até que chegasse ao seu destino.

As abordagens tema daquela manhã acabaram ficando esquecidas, ainda que tão ricas. Tendo minha atenção voltada então para essa experiência, comecei a refletir em duas situações distintas que tem relação direta com a questão organizacional.

Quando alguém não tem a habilidade ou competência necessária para ser compartilhada e utilizada em determinada situação, o ambiente gera uma movimentação até que a variável seja alcançada, e o evento resolvido. Numa situação inesperada, estaríamos preparados quando formos convocados ou teremos que passar a chance a outra pessoa que tenha a "carta na manga", ou a caneta no bolso ? 

Em segunda reflexão, também podemos, gerar uma reação em cadeia (lembrando aqui do conhecido filme A Corrente do bem), principalmente quando se dá numa demanda em que podemos servir. Ainda que não tenhamos condições isoladamente de atender a demanda, é importante o senso colaborativo e atenção à nossa volta.

Temos a referência de que trabalho em equipe se dá quando imobilizamos um contingente e oficialmente geramos o evento/situação. Mais profunda do que a habilidade de trabalhar em equipe, penso então na disponibilidade em servir, de estar disponível e ser acessível. Quem sabe com essa postura, as pessoas vejam em nós aquilo que nem imaginamos, e a reação em cadeia possa gerar uma equipe que, mesmo sem saber, é capaz de contagiar os disponíveis e acessíveis.

Demétrius Rocha

segunda-feira, 6 de julho de 2015

PODER. O QUE SERÁ ISSO?


Do terraço da casa, Oscar Schindler e o comandante do campo de concentração tinham a visão de todo o pátio, por onde transitavam os judeus que ali estavam confinados.

Como anfitrião, em dado momento o comandante pergunta a Oscar se ele sabe o que é poder. Então realiza uma demonstração impressionante para seu amigo visitante. Lá do alto em sua casa, o comandante escolhe uma vítima no pátio, aponta seu rifle para o escolhido, que é então atingido e morto por uma bala certeira. Com aquela demonstração, o comandante encerra seu o ato dizendo que aquilo era poder.

Em outro dia qualquer, Oscar novamente em visita ao comandante, presenciando que a ordem do dia estava prestes a acontecer, no momento em que o comandante aponta a arma para seu próximo alvo, interrompe a concentração com a pergunta: Sabe o que é poder ? 

A partir daí vemos uma luta emocional, contrapondo a ideia de poder do comandante diante daquela situação de endeusamento. Oscar conduz o mesmo a refletir no real significado de poder. Poder não é você desejar, ter condições e realizar algo. O verdadeiro poder é escolher não fazer aquilo que se deseja e tem condições de realizar. Isso é muito mais difícil, isso de fato é poder.

Ali o comandante percebe que pode fazer mais uma vítima, mas decide não fazê-lo, desviando então a mira daquela pessoa. Aquela arma apontada, após alguns momentos de reflexão é baixada, e, pelo menos naquele dia, uma vida foi poupada (ainda que aquela vida não soubesse que seria a vítima daquele dia).

Olhar profundamente as situações que nos cercam, leva-nos a experiências incríveis. Quando reconfiguramos as leituras e propostas que nos chegam diariamente como bombardeios de todas as direções, ao deixarmos de lado nossas verdades e crenças, acabamos por achar que empoderamento é estarmos munidos de todas as armas para sermos notados como poderosos, inacessíveis e infalíveis.

Falamos da necessidade que gera aquela capacitação exacerbada de superarmos os resultados e pessoas até nossos limites para podermos ser e adquirir tudo o que desejamos. Passamos pelos “beijinhos no ombro” ao mostrar o quanto somos superiores dos demais nas nossas condutas e escolhas sem fazer conta do impacto que elas representam em terceiros. Também usufruindo de elementos inibidores da capacidade de locomoção ao dirigir um carro, potencializamos uma tragédia. Já enquanto menores que delinquem, o fazemos por conta do poder que “a lei outorga”. E obviamente não podemos esquecer da máxima gritada aos quatro ventos do mundo midiático em que “atitude”, é encararmos as pessoas de forma intimidadora. 


Usando essas referências auto intituladas de poder, tão drasticamente condutoras e reforçadas cada vez mais na sociedade moderna, vejo como somos marionetes conduzidas por inverdades plantadas de forma tão verdadeira, fazendo da irracionalidade um modelo comportamental usado como reforço auto afirmativo que não se firma. Sendo assim me resta apenas uma única pergunta pra tudo isso: Será isso poder ?

Refletir sobre quem somos de fato, e quem não somos, e quem desejamos nos tornar, talvez seja um bom começo para um caminho diferente. Certamente você tem poder para fazer isso.


Demétrius Rocha

terça-feira, 2 de junho de 2015

UM ESBARRÃO QUE QUASE VIROU UM TOMBO.

Após a saída do banco, eu descia por uma das ruas do centro de São Paulo, e no meio daquela multidão acelerada em pleno horário de almoço, de repente à minha frente vinda do nada, uma moça distraída ao celular quase se trombou comigo. O quase só foi quase porque logo ao me ver, num súbito afastou-se rapidamente procurando desviar o caminho, dado seu momento de distração.

Até aí tudo bem. Obviamente nessa história tem que haver um “ocorre que”.

Então... ocorre que, no súbito de esbarrarmos, tanto ela quanto eu tentamos nos desviar, e assim fizemos. Porém, para o mesmo lado, e depois, de novo, para o outro mesmo lado. Me restou uma vontade de rir, mas ao mesmo tempo lembrando da corrida típica cosmopolita e da nossa megalópole, voltei “à razão” lembrando que aquilo não era brincadeira e havia um trajeto a ser seguido dada a agenda desnorteada daquele dia que gritava comigo.

Há mais um “ocorre que”.

Desta vez acredito que por causa do destino e da proposital providência divina me trazer algum ensinamento, então realizamos a tão esperada e pouco desejada trombada. 


Agora não havia mais chance de tentar segurar o riso, e restou-nos uma boa gargalhada, visto que os óculos de alguém pularam ao chão tentando fugir do incidente inevitavelmente evitável. 

Assim, a reflexão que o momento me trouxe foi imaginar como nossa conduta - por quantas vezes desatenta, ou eventualmente irresponsável - pode em muito, comprometer o andamento de demais processos impactando negativamente outras áreas e terceiros.

Comecei a pensar em quando alguém se atrapalha por ser desatento ou inconsequente em algum processo ou tarefa. Ainda que tal pessoa se esforce para manter o equilíbrio e ajustar o cenário após notar o desalinhamento, é bem provável que outro alguém que estiver no meio do caminho, tenha que arcar com parte das consequências. Isso pode se dar na elaboração de um relatório, de um plano de ação, de uma demanda financeira que gere ônus, também na abertura da folha de contratações ou qualquer outra situação que venha a ser feita sem a seriedade e cuidados necessários, tornando os resultados destas ações altamente comprometedores gerando riscos que podem chegar a ser incalculáveis. 

Tenhamos um olhar atendo na nossa caminhada pessoal e corporativa, lembrando que o ambiente em que interagimos é altamente dinâmico e cercado por ações e reações. Vale lembrar também, que sutil ou explicitamente, interagimos de alguma forma por onde passamos. Que o impacto de nossa presença não seja através de esbarrões, ou de situações geradas que tragam desconforto por falta de polidez e profissionalismo. Que nosso caminhar seja ordeiro e seguro o suficiente para sermos notados com nossa conduta ética e exemplar para com os que nos cercam e demandam conosco, sejam pares, liderados ou líderes.

Quando somos desatentos nas nossas tarefas, corremos risco de comprometer o trânsito e a rotina das demais áreas da empresa, e prudência e uma boa análise do andamento e revisão dos processos, nunca é demais.

Demétrius Rocha

sexta-feira, 29 de maio de 2015

ESTUDAR PRA QUÊ? ESTOU SEGURO DESTE JEITO.

Às vezes pensamos que nosso nível de capacitação é suficiente para nos mantermos seguros das nossas "atribuições". Habilidades e competências são e devem ser parte de um processo constante evolutivo que garantirá o sucesso de nossas tarefas realizadas e prospectadas. A grande questão não é somente como nos enxergamos, mas como somos vistos inclusive, e isso pode ser determinante nas oportunidades que possam surgir.



* Livreto "Quando as coisas vão de mal a pior". Jeremias Pereira. Editora Getsêmani.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

SEJA COMO ÁGUA.

Clique aqui para ver o vídeo de Bruce Lee "Seja como água".

Água é vida, alimento, tranquilidade, equilíbrio, força e coragem !






O BATER DAS ASAS DE UMA BORBOLETA E ATÉ ONDE SEU VENTO CHEGA.


Uma borboleta batia asas no Oriente, e o seu vento chegava como tempestade ao Ocidente.
“Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez; quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfônico no oriente; quando tempo significar apenas rapidez online; quando o tempo, como história, houver desaparecido da existência de todos os povos, quando um esportista ou artista de mercado valer como grande homem de um povo; quando as cifras em milhões significarem triunfo, – então, justamente então — reviverão como fantasma as perguntas: Para quê? Para onde? E agora?



A decadência dos povos já terá ido tão longe, que quase não terão mais força de espírito para ver e avaliar a decadência simplesmente como… decadência. Essa constatação nada tem a ver com pessimismo cultural, nem tampouco, com otimismo. O obscurecimento do mundo, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odiosa contra tudo que é criado e livre, já atingiu tais dimensões, que categorias tão pueris, como pessimismo e otimismo, já haverão de ter se tornado ridículas.”

~ Martin Heidegger (1889-1976), em Introdução à Metafísica.