terça-feira, 24 de janeiro de 2017

MEXE OU DEIXA COMO ESTÁ?


É provável que você tenha ouvido que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, ou santo de casa não faz milagre, e também é melhor não mexer para não piorar.
Existem dois pontos interessantes que podemos observar aqui sobre o último jargão. Vamos falar um pouco sobre responsabilidade e omissão.

Pensando em responsabilidade, podemos imaginar uma situação qualquer que pode acontecer de forma negativa. Quem sabe somos os causadores de determinado problema ou estamos contribuindo para ele permanecer, seja consciente ou não. Pode acontecer por exemplo uma falha de comunicação dentro da empresa, onde não nos atentamos a algum detalhe e todo um processo pode ser comprometido trazendo transtornos desnecessários. Lembro de um case numa remarcação de provas de uma faculdade para a semana seguinte, e os alunos não foram informados integralmente em tempo hábil, gerando um grande transtorno e boa parte compareceu no dia da prova cancelada; alguns vindo de outra cidade inclusive. Podemos imaginar uma promessa ou comprometimento de uma ação que foi esquecida, uma reunião que precisou ser remarcada e passou despercebida ou aquele retorno da ligação de uma demanda importante que a outra parte espera até hoje. Naturalmente no dia a dia com a família e amigos também, podemos gerar situações que causem impactos negativos e atrapalham nossa convivência. Em alguns casos pode até ruir aos poucos o grau de confiança e credibilidade das pessoas a nosso respeito.

Afinal de contas, há algum culpado quando essas coisas acontecem?  

Talvez o ponto de partida seja analisar o seguinte: Depende do nosso grau de envolvimento com a situação, e qual a possibilidade de sermos agentes de mudanças para resolvê-la.

Omissão é saber que posso e preciso fazer algo diante de um problema, e me nego a fazê-lo. Ao presenciar uma situação que percebemos que foi mal interpretada por uma das partes e pode gerar desconforto ou consequências graves, será que vale a pena interagir com um espirito colaborativo?  Quando vemos que algum colega de trabalho não se atinou a algo importante, vale a pena de forma sutil abordar a situação e tentar gerar uma reflexão? Se for um liderado nosso, talvez seja fácil, mas se for um par, ou então um líder, como fazer?


Não estamos deixando de reconhecer que existe também outro jargão, o clássico “cada um no seu quadrado”. Sabendo que podemos ser tidos como intrometidos ou inconvenientes, é melhor então deixar que o “barco afunde”, sendo mais seguro pra gente apenas “assistir de camarote” ou buscar aprimorar nossas habilidades de comunicação e pro-atividade? Será que vale a pena uma boa ação, lembrando que podemos amanhã passar por uma situação parecida como a que hoje apenas observamos? 

Felizmente ou infelizmente, já passamos e passaremos por situações assim na vida. Certamente você se lembra que devia ter “ficado na sua” em alguma ocorrência do passado, pois decidiu se envolver e o resultado não foi muito legal. Talvez lembre-se de outros casos em que pensou: Ah, eu poderia ter feito alguma coisa no lugar de ter me omitido! Quem sabe então passe pela sua cabeça: Se eu tivesse alguém para me orientar naquela ocasião, era tudo o que precisava, e as coisas poderiam ter sido diferentes!

Antes de falarmos "deixa como está, melhor não mexer"; quem sabe valha a pena a auto reflexão: Tenho algum grau de responsabilidade sobre isso? Se sim, preciso colocar as coisas em ordem e assumir o erro com humildade, fazer os ajustes e seguir o caminho de forma mais prudente. De outra forma, posso estar sendo omisso, sabendo que há algo que pode ser feito para mudar a situação? De que forma posso contribuir sabendo que as consequências negativas podem ser evitadas?

Te convido a refletir se suas intenções forem genuínas verdadeiramente, aí sim, espalhe seu espírito participativo e colaborativo deixando sua marca. Por outro lado, se seu envolvimento com as pessoas for apenas por conveniência e omissão nos períodos difíceis, você não terá condições de fazer diferença se a coisa acontecer, seja positiva ou negativamente, e sua presença e pessoa não será notada. Quem sabe valha a pena estimular e desenvolver valores num processo evolutivo que torne nossa presença marcante como quem está ali para fazer a diferença, no lugar de ver o barco afundar. Desta forma, nós e as pessoas que nos cercam só terão a ganhar.


Demétrius Rocha
www.cocriando.com.br

28 comentários:

  1. Excelente reflexão Demétrius, isso me fez pensar em mais um jargão, que no meu ponto-de-vista colocaria bem no meio, entre a condição de RESPONSABILIDADE e OMISSÃO, que seria: "Panela que muitos mexem, ou sai insossa ou salgada.". Imagino essa situação quando eu me sinto responsável, mas a situação já está correndo bem e não precisa de mais uma mão, dessa maneira também não estou sendo omisso. o que você acha?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Kennedy. Mais uma vez obrigado por participar! Tendo em vista sua condição de responsabilidade dentro do evento, como você muito bem cita, existe o acompanhamento e manutenção de forma satisfatória ainda que tenhamos analisado situações problemáticas. Quando o cenário se apresenta dessa forma, os recursos e staffs participantes estarão sempre atentos. Certamente vc não está sendo omisso. E continuando a brincadeira, podemos plagiar até mais um outro jargão, que é "em time que está ganhando não se mexe"... com seus devidos ajustes, é claro. Rs

      Excluir
  2. Infelizmente, no mundo corporativo, reina o pensamento de que se você não ajuda, é omisso. Seria omissão o fato de eu preferir ficar quieto, já que sei que não posso ajudar?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Ricardo. Muito obrigado por participar! O apontamento do texto nos estimula a refletir sobre a condição de precisar e poder-se fazer algo para contribuir num processo de transformação.O fato de vc preferir ficar quieto, já que sabe que não pode ajudar, eu chamaria de prudência, ou seja, um posionamento estratégico dentro de algo que você não pode contribuir, evitanto exposição desnecessaria. Nesse caso, jamais sua postura seria de omissão. :)

      Excluir
  3. Muito bom! Texto elaborado de forma positiva e motivadora. Depois de ler esta reflexão é incômodo se omitir as situações que exigem um posicionamento e decisões, sejam elas de encarar ou "cair fora". Situações essas bem rotineiras por sinal.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Giuliane. Sua dica nos mostra a importância de fazer valer a pena e também sugere autoconhecimento. Qualquer que seja o espaço que ocupemos e com quer que seja, que tenhamos a habilidade necessária tanto para recuar como avançar né?

      Excluir
  4. Excelente reflexão amigo! Parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Wellington. Muito obrigado por sua visita amigo. É sempre uma satisfação tê-lo por perto. Continue nos prestigiando!

      Excluir
  5. Grande texto! É sempre bom sabermos nos responsabilizar e refletir por cada atitude tomada, sejam elas boas ou más :) Parabéns!

    ResponderExcluir
  6. Karin, que satisfação tê-la conosco! Concordo com você. Vale muito a pena entender o papel que desempenhamos no cenário, e nossas ações tem um peso de responsabilidade enorme, por isso a importância da reflexão como vc disse.

    ResponderExcluir
  7. Perfeita reflexão Demetrius. Acredito que tal análise deve ser feita a cada vez que percebemos uma oportunidade de agregar. Seja colaborando de forma direta ou indireta.
    Claro que como ja foi citado, em determinados momentos não se faz necessário a interação, sendo assim, não seria omissão. Lembrando que "toda a ação tem uma reação " e ai? Interagindo ou me omitindo eu consigo segurar a responsabilidade no resultado final?

    ResponderExcluir
  8. Olá Cristian, muito obrigado pela participação. Excelente sua pergunta! Certamente mantendo essa visão, tem grandes chances de segurar/garantir o resultado final de forma satisfatória, pois avançando ou recuando, você estará fazendo isso de forma analítica e estratégica e não aleatória ou por omissão. :)

    ResponderExcluir
  9. Ótimo texto, e realmente é para se refletir, não é fácil opnimarmos ou tentar ajudar o próximo, nem todos tem essa capacidade, ou querem esse tipo de ajuda. Há casos e casos, opinar na vida de uma pessoa a qual não temos tanta intimidade é complicado, agora se o caso for um amigo ai sim acredito que seja o correto a se fazer, pois uma verdadeira amizade se constrói assim, com ajuda e reciprocidade. E se for um ambiente familiar essa comunicação é fundamental.
    Parabéns pelo texto meu amigo Demétrius.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Dimi, obrigado por tão rica contribuição! Faz muito sentido sua reflexão dentro do contexto das amizades, e a reciprocidade certamente é uma maneira brilhante de fortalecer nossos laços afetivos não é mesmo? E também concordo sobre estimular essa conduta no ambiente familiar, a base das relações. Fazendo assim, as chances de aprender bem dentro de casa, nos torna melhores para nossa relação em sociedade. Apareça sempre!

      Excluir
  10. Espetacular seu texto meu amigo. Eu me sinto omisso por não me intimidar pela situação. Com isso não vejo possibilidades mas estou tentando melhorar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá caríssimo anônimo. Que bom que gostou! O primeiro e grande passo já foi dado. Quando temos a compreensão suficiente de quem somos e como podemos agir dentro do ambiente, é bem provável que as próximas ações a partir destas reflexões sejam bastante efetivas e satisfatórias. Certamente vc pode dizer no lugar de "estou tentando melhorar" que está melhorando. Tenho certeza disso pelo seu comentário. Sucesso no processo de evolução. Continue nos prestigiando!

      Excluir
  11. Demétrius! Um assunto mega pertinente e que ninguém gosta de tocar..(mexe com nossas feridas!!)
    Parabéns pela escolha e coragem para dar esse passo.
    Priscilla Amaral

    ResponderExcluir
  12. Priscilla, é verdade! Pode ser que no processo de transformação que passamos, nos deparemos com algumas feridas que fizeram parte da caminhada não é? Vale muito lembrar também que esse processo de transformação gera evolução. Por isso que as feridas na hora certa acabam por virar cicatrizes. Avancemos com coragem um dia após o outro! Muito obrigado por nos prestigiar sempre, continue nos visitando! :)

    ResponderExcluir
  13. Muito bom o texto! Muitas vezes nos omitimos em algumas situações para evitar possíveis desgastes, mas perdemos grandes oportunidades de sermos útil a alguém. Valeu! Obrigada.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, obrigado por nos prestigiar nossa amiga anônima!
      Faz muito sentido o que você disse. A omissão pode ser uma grande estratégia que colabora muito para evitar desgastes como você bem falou. Penso também que vale a pena refletir se o desgaste que está sendo evitado será só nosso, ou também da outra parte. Se for só nosso, quem sabe valha a pena interagirmos um pouco e até livrar alguém de um problema maior. A postura colaborativa além de proporcionar transformação de pessoas e situações, pode também trazer resultados surpreendentes e positivos pra aqueles que estenderam a mão, pois geralmente a postura colaborativa é lembrada com uma postura de gratidão. Apareça mais, e nos prestigie novamente; deste vez se identificando. :)

      Excluir
  14. Olá Demétrius! Aprendi que a omissão vem do desejo de manter a aparência. Mesmo na presença de algo errado, mas pra evitar confusão ou desagradar o meu próximo, melhor deixar como está e ir levando a situação. Enxergar um erro e dizer nada, é talvez pior que a própria pessoa que errou. Pois talvez quem errou não se deu conta do erro ou fez na sua ignorância.
    Ao ser chamado atenção pelo erro, exige humildade e reflexão. Eu confesso que muitas vezes meu orgulho atrapalha neste processo, mas é algo que estou trabalhando.
    Obrigado por sua reflexão e escreva mais vezes!
    Grande abraço meu irmão!
    Salomão

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Salomão, muito obrigado por participar e compartilhar! Suas palavras são poderosas, principalmente quando consegue fazer sua auto análise, identificando e compreendendo os aspectos que podem ser ajustados. Esse é o segredo da transformação, enxergar a si mesmo(intra), compreender como o ambiente funciona(micro) e fazer da sua ação, potencial de impacto que pode reformular processos e mudar até mesmo a realidade vivida pelas pessoas e organizações. Enxergue o orgulho apenas como uma variável que merece atenção e pode ser trabalhada, talvez fique mais fácil e simples para lider com ele. Apareça mais vezes também! :)

      Excluir
  15. Ótima reflexão sobre intermediação de conflitos e tensão. De fato temos hábitos de não agir para minimizar tensões. São hábitos e costumes que nos acompanham a tempos, porém, com sabedoria e sendo imparcial é possível uma ação para manter a paz e reflexão. Hoje procuro agir conversando quando me deparo em situações que gostaria que agissem comigo em alguns casos antes que tomassem proporções maiores, como nos casos em que você me ajudou.
    Rogério Almeida

    ResponderExcluir
  16. Rogério, fico feliz com sua presença! Você acertou em cheio quando fala de sabedoria e imparcialidade como ingredientes que trazem paz e reflexão. Gosto também quando aborda a importância da empatia e seu processo de autoconhecimento. Certamente é um bom e lindo caminho a ser trilhado através dessa forma de entender e agir. Abraços, e apareça mais!

    ResponderExcluir