terça-feira, 26 de dezembro de 2017

POR QUE O PROIBIDO É MAIS GOSTOSO?

Essa pergunta me chamou atenção quando recebemos a proposta de refletir sobre o tema aqui no blog. Comecei a pensar se o proibido de fato é mais gostoso, e se for, até que ponto é mais gostoso. Pensei também: já que algo é considerado proibido, poderia ser tido como objeto de satisfação? Espero que tenhamos uma boa reflexão com um tema assim tão interessante. Vamos esmiuçar um pouco considerando a partir do conhecimento de causa, grau de envolvimento e consequências.

Pensando nas coisas em tese "proibidas" que atraem, sejam por questões positivas ou negativas trazendo o bem ou não (exemplo na alimentação, gula, bebidas ou vícios), outras que podem ser fruto de desejos mais íntimos como a cobiça e também aquelas que não desejamos nem nos chamam a atenção  por não fazerem parte de nosso dia a dia ou não termos nenhum envolvimento a respeito (vandalismo por exemplo), podemos pensar em 3 contextos.




Em primeiro lugar, situações em que temos um alto grau de informação sobre o que está acontecendo e um envolvimento direto da nossa parte. Coisas triviais, como comer mais do que devia quando nos deparamos com aquela pizza fantástica no sábado à noite, ou beber alguns copos de álcool além da conta, mesmo com conotação negativa ou possibilidades de dano, não nos trazem grande preocupação por serem eventos que "controlamos", dado o contexto que está no nosso grau de conhecimento e domínio. Assim sendo, mesmo que estejamos indo para uma zona de limite, o que pode parecer proibido; se sentirmos que temos controle, envolvimento e conhecimento suficientes da situação, tornará o usufruto daquilo "mais gostoso".


O segundo ponto, são aquelas situações mais íntimas e que talvez seja mais difícil de arriscarmos. Nelas somos tentados pelo baixo nível de exposição e alto nível de prazer. São aquelas que não temos um grande comprometimento ou envolvimento, nos deixando curiosos sobre aspectos que queremos desfrutar. Nosso pouco grau de conhecimento a respeito, faz-nos querer avançar, trazendo a sensação de controle e aventura a cada passo dado. Desta forma, nos envolvemos mais para aumentar nosso prazer, conquistando o novo território, e aumentando nosso poder sobre a situação. O proibido passa a ser desafiador, e quanto mais autonomia se conquista, mais se quer avançar independente dos limites, pois o prazer obtido acaba por estimular e reforçar esse avanço

Por fim, pode ser que nem sejamos tentados por algumas coisas proibidas, como avançar um sinal de trânsito, ou pichar um monumento público, pois não estão contextualizadas com a nossa maneira de ser, e temos pouco ou nenhum envolvimento com essas ações. Assim, não exploramos aquelas situações que fogem ao nosso contexto e não nos dão prazer ou sensação de liberdade. Para aqueles que realizam estes feitos, pode-se dizer que o proibido é mais gostoso, dada a realidade e expectativa vividas do prazer transgressor,  relacionadas com sua inteligência emocional e contexto econômico e social, fatores que indicariam um estudo à parte. Vale ressaltar que aqui não estamos fazendo uma abordagem moral, apenas explorando um pouco esse tema tão curioso.
Qual o meu grau de conhecimento sobre a situação que desejo vivenciar?Qual o meu grau de exposição e de terceiros nesta situação?
Qual o meu grau de envolvimento nesta situação?
Qual o meu grau de controle sobre esta situação?

Pensando nessas perguntas, cada um de nós vai saber que o proibido para um, pode não o ser para outro. Dependendo de como nos envolvemos com a situação desejada nos aspectos de conhecimento, domínio e consequências previstas, saberemos se de fato o proibido pode se tornar "mais gostoso" ou então, provocar uma amarga experiência.

Até a próxima.

www.cocriando.com.br

28 comentários:

  1. Discussão interessante do tema. Proibido é desafio. Para alguns é dia a dia; outros, no entanto, fogem de sair da zona de conforto.
    Gostei muito da abordagem.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim Jacqueline. Proibido para uns, é proibido; para outros, como você diz, desafio! Obrigado pela colaboração e continuemos avançando!

      Excluir
    2. Acredito que o tema já nos estiga ao desafio ao querer ir além de seus limites.
      O ser humano vive em busca de desafios e o simples termo “proibido” já o remete a superar esse desafio já o estiga a querer fazer e acontecer. Com isso acredito que o prazer a satisfação em conseguir superar aquele “obstáculo x desafio” ao qual a ele parecia proibido lhe proporciona um sentimento “gostoso” uma vitória.
      Desse modo enxergo o tema num todo independente se o mesmo irá se referir a vida íntima, a vida profissional ou até a social.

      Excluir
    3. Olá Aline. Muito legal sua percepção. Interessante enxergar o proibido como desafio nesse contexto que você coloca. Superar obstáculos realmente traz a sensação de um "sentimento gostoso". Obrigado por participar, apareça sempre! :)

      Excluir
  2. É verdade, para cada indivíduo o proibido pode ser diferente. Para quem tem diabetes por exemplo, comer um chocolate pode ser gostoso por ser um item proibido da sua dieta. Mas para outra pessoa pose simplesmente nao fazer diferença.
    Pensando sobre o tema no geral, o proibido é mais gostoso, desde que nao afete ninguém.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Helen! Vale irmos um pouco mais adiante: E se afetar de forma positiva? Já assistiu o filme Path Adams, o amor é contagioso? É uma linda forma de sintetizar que, quando o proibido além de mais gostoso e contagioso, pode afetar inúmeras pessoas de forma extremamente positiva. Resultado disso dentre outros, os doutores da alegria que tão bem conhecemos. Muito obrigado por sua contribuição! :)

      Excluir
  3. o tema é interessante e abrangente. Existe o viés daquilo que realmente é proibido por lei ou por uma doutrina religiosa ou por uma regra de um grupo de pessoas ( um time de futebol por exemplo ) e aí cabe a reflexão se realmente transgredir essa "lei" é mais gostoso e por que. Como podemos classificar e medir esse prazer na transgressão? qual a origem desse desejo? Teria uma motivação mais profunda do que o simples prazer? Sugiro futuramente uma nova reflexão do tema..abs e sucesso Demetrius !!! Cláudio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Perfeito Claudio! Como podemos classificar e medir esse prazer transgressor é um fator totalmente relativo dentro desse contexto que você apresenta e realmente merece muito mais tempo pra ser explorado. Realmente as poucas linhas para um tema tão abrangente, nos limita um pouco. Que bom poder representá-lo diante desse desafio que nos chegou. Muito obrigado por estar sempre por perto. :)

      Excluir
  4. Cara, certamente é mais gostoso pelo simples fato de ser proibido. Independentemente de qual seja a situação, o fato de fazer e não ser descoberto. Ou fazer com a sensação de ser descoberto a qualquer momento, isso torna aquele momento cheio de adrenalina, e ela é um agente causador de prazer.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá caríssimo/a. Sim, a adrenalina é um ingrediente potencial desta química de brincar com o "perigo" não é mesmo? Apontando para a 2a situação descrita onde buscamos pouca exposição com grande satisfação, este aparente controle nos faz avançar aos poucos, nos tornando cada vez mais "poderosos". Obrigado por sua rica contribuição! Apareça mais e não esqueça de se identificar. :)

      Excluir
  5. Acredito sim que o proibido pode ser o mais gostoso principalmente quando não sabemos muito o que encontrar do outro lado, e nossa curiosidade acaba nos empurrando até a gente se surpreender, isso tanto pro bem quando pro mal. Não é a toa que a curiosidade matou o gato. rsrsr
    Adorei

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá amigo/a. :) Muito interessante sua fala que "a curiosidade acaba nos empurrando". Isso tem uma boa parcela de verdade em situações que não necessariamente sejam ligadas à proibição. Podem haver por exemplo, eventos que contribuam para nossa capacitação e formação na vida em geral - coisas que estão diante de nós, e que nunca experimentamos - e que podem nos trazer novas e brilhantes descobertas como você muito bem nos trouxe. Muito obrigado por participar, e não esqueça de se identificar nas próximas visitas!

      Excluir
  6. Parabéns Demétrius!!!!
    Por abordar um tema muito interessante, que pouco se houve falar!!!Gosto muito das suas publicações, me faz refletir!

    ResponderExcluir
  7. Olá Glaucia. Que bom que gosta de nosso trabalho! Obrigado por sua visita e continue aparecendo por aqui! :)

    ResponderExcluir
  8. Meus parabéns,pelo seu trabalho , é muito importante gente que pense em gente,e contribuir para o bem estar de todos !!!Isto é nobre,fazer acontecer e realizar e desenvolver sonhos:Essa é a nossa meta e o talento que nos foi confiado.
    Ariston Prata

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Ariston. Muito obrigado! Que avancemos todos nesse processo de desenvolvimento dos talentos que nos foram confiados! abraços.

      Excluir
  9. Em minha opinião o proibido é sempre mais gostoso...por ser proibido gera adrenalina, o coração bate mais forte....pode ser o mais profundo sentimento de prazer...o doce para o diabético...o cigarro escondido para o adolescente....o antigo amor da adolescência...a tentação da Eva morder a maçã. enfim...a maçã no paraíso....��

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Rosana. Muito obrigado por sua contribuição! Podemos pensar a partir daí que, gerando adrenalina, teremos uma crença de que aquilo nos fará bem. Quem sabe faça sentido lembrar que a adrenalina inclusive é gerada em situações de medo, stresse e fuga por exemplo, que nos preparam para um evento imediatamente a seguir, e seu resultado pode ser bastante negativo.

      Excluir
  10. Boa reflexão Demétrius. Tema relevante pois lida com diversas possíveis situações em que podemos nos deparar. Parte de nossa vida buscamos o prazer, e como conquistá lo, tornando se um desafio.

    Parabéns e um abraço

    ResponderExcluir
  11. Olá Pitágoras. Sobre como conquistar esse prazer, sendo um grande desafio em nossas vidas, faz muito sentido para os dias de hoje uma postura um pouco mais racional como você propõe. Provavelmente agindo dessa forma, consigamos usufruir mais e melhores experiências.

    ResponderExcluir
  12. Ola amigo!
    Muito interesante o tema abordado, que reflete exatamente uma das aspirações do coração humano que é explorar o limite, o incontrolável, o motor das emoções o que vai além do conhecimento do bem e do mal... não é a toa que também é conhecido como o enganoso. A nós cabe exercer o equilibrio e proteção no cuidado.
    Abração!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olha que rica sua contribuição Benedito! Muito obrigado por colaborar. Sim, faz muito sentido analisarmos as inclinações do nosso coração que tem grandes chances de nos levar por caminhos algumas vezes perigosos. Isso nos faz refletir também sobre outra abordagem bíblica que define a prudência como o princípio da sabedoria não é? Abraços :)

      Excluir
  13. Assumir que gostamos do proibido é uma coisa até que confortável. Mas como fica essa relação com pessoas irresponsáveis, sem respeito ao próximo, anarquistas as vezes e até mesmo inconsequentes?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá amigo/a que não se identificou. :) Realmente fica um pouco mais difícil tratarmos a questão a partir das suas considerações. Talvez possamos explorar mais algumas outras possibilidades, vamos ver se faz sentido? Por exemplo, considerando irresponsabilidade, falta de respeito e até anarquismo, podemos ir por uma linha da moralidade. Desta forma, estamos pensando no indivíduo que afronta os sistemas sociais e não possui aquele "temor" interno ou até curiosidade relacionados com as sensações antes do ato "proibido", que em geral as pessoas tem. Para alguém que ultrapassa essas fronteiras internas de forma a afrontar a sociedade e o ser humano, podemos associar questões mais ligadas ao comportamento e histórico do indivíduo, e provavelmente direcionadas a até mesmo aspectos patológicos mentais que merecem um olhar mais clínico acredito eu. Já falando sobre a inconsequência, ela ainda estaria ligada aos pilares que considero no texto, por situações de pouca experiência e sensação de aventura que a situação traz, e por imaturidade, o envolvido não consegue prever os possíveis riscos que aquilo pode acarretar. Espero que essas considerações possam contribuir com o aprofundamento que tão bem sugeriu por meio do seu comentário. Muito obrigado por sua presença! Apareça novamente e não esqueça de se identificar.

      Excluir
  14. Tenho ainda certa dificuldade em achar que coisas proibidas possam ser boas. Acredito que devido a minha criação que condicionou-me e achar errado inclusive coisas simples e sem maldade como "roubar" uma pitanga ou jabuticabas do vizinho. Com o passar do tempo vemos que existe proibido que não deveria ser proibido, bem como coisas aprovadas que as vezes se tornam naturais mas carregam uma questão moral por detrás que não passavam de movimentos de transformacao social, como o rock, moda, o movimento paz e amor, mãe solteira, legalização de drogas "licitas", divórcio e afins. Gostei da sua reflexão. Aline Piedade

    ResponderExcluir
  15. Aline, fantástica sua contribuição. Como costumamos explorar sempre: compreender a si mesmo nas limitações além dos pontos fortes é uma forma de entender melhor o mundo e interagir com ele inclusive. É bem por aí mesmo, quando percebemos que nossos valores podem ser reformulados a partir das experiências vividas, somam-se novas perspectivas e referências ao nosso jeito de ser e compreender, por isso a vida vai ficando mais fácil e os referenciais herdados se ajustando, ao ponto de, eventualmente não sentirmos culpa mais quando "roubamos" aquelas suculentas jabuticabas. Também observar em volta os movimentos sociais que você aponta, demonstra aspectos evolutivos e melhor alinhados numa questão como essa de certo ou errado, pois levando-se em conta fatores históricos, temos mais amplitude de análise. Muito obrigado por estar conosco.

    ResponderExcluir
  16. Se for uma pessoa sem compromisso, o proibido é gostoso e atraente.
    Importante salientar que, o compromisso começa primeiramente com nossa pessoa e depois, com as pessoas que nos relacionamos.
    Quando temos um compromisso assumido, em pensar o proibido, automaticamente vem o pensamento de um peso na consciência pela possibilidade de cair em tentação e trair a índole e derrepente, não conseguir a temperança.
    O que também tem que ser tratado é a consequência desse proibido que pode destruir família, trabalho, amizade, e principalmente, a própria pessoa.
    O verdadeiro gostoso está em a outra pessoa feliz e ser feliz com o resultado. O proibido, não traz esse resultado!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Marcelo, muito obrigado por sua contribuição. Essa reflexão interna que propõe autoconhecimento funciona muito bem nesse contexto, principalmente quando você trata da questão do valor moral. Parabéns! Quando somos pautados nos valores como premissa de nosso comportamento, a margem de erro é menor, e o grau de satisfação muito maior. Assim, acabamos por descobrir o "verdadeiro gostoso" a que você se refere: ser feliz e fazer o outro feliz, que torna tudo diferente! Apareça sempre que puder e continue nos prestigiando com sua visita!

      Excluir