quinta-feira, 15 de março de 2018

SÓ SEI QUE FOI ASSIM!

Numa semana de capacitação corporativa por esses dias, um dos temas propostos nas oficinas foi o de Língua Portuguesa.

Além da abordagem ser muito pertinente, tive dois aprendizados que me surpreenderam, não pelo fato apenas de se tratar das regras gramaticais que não me lembrava, mas também pela forma que isso me transportou a outras situações.

Foi muito curioso perceber que eu tinha alguns vícios de linguagem criados com o passar do tempo, que, de tão naturais que me pareciam, sequer imaginava que pudessem ser considerados errados. Por isso lembrei do filme "O Auto da Compadecida", onde o personagem Chicó, vivido por Selton Mello, todas as vezes que fazia uma narrativa, não encontrando explicação plausível para o porque dos “fatos”, encerrava com a célebre frase: Não sei, só sei que foi assim! Isso me fez ver que me condicionei a algumas coisas que não me dava conta, e sequer faziam sentido, pois sempre foram daquela forma. Já falamos algo parecido em outros artigos aqui, como o “Sorria, você está sendo filmado”, quando fazemos as coisas no automático.


´
*créditos

O outro aspecto foi que, por 3 vezes tentei entender o sentido de alguns exemplos de regras gramaticais que não queriam entrar na minha cabeça, e nas tentativas de perguntar ao palestrante - como gestor de pessoas e coach, que busca encontrar o sentido das coisas, para criar comandos internos que gerem mudanças de comportamento - eu só ouvia que regra é regra.  

:)

A partir disso, passei dias tentando me condicionar a decorar e pôr em prática as “novas” leis gramaticais, e comecei a fazer alguns ajustes na minha cabeça, entendendo a razão das regras até sentir-me convencido. Habituado como sou, a dar sentido às coisas que realmente fazem sentido, simplesmente não havia sentido algum em obedecer algo apenas por ser uma regra, enquanto não fizesse sentido pra mim. :)  Isso não é um texto terapêutico ok?

A ideia é ter um olhar mais profundo a respeito das coisas que nos cercam, sejam regras ou não. Que possamos dar sentido verdadeiramente a quem somos, e também às coisas que fazemos e desejamos; desta forma, nossa vida e nossa presença poderá fazer sentido também aos que nos cercam.  

Que bom que há espaço para todos! Os executores (só sei que é assim) e os questionadores (por que é assim?) podem encontrar novos sentidos e perspectivas para o dia a dia em sua vida social e profissional... com exceção das regras gramaticais, não é mesmo?  rs

*extraído do site: https://tenor.com/view/seltonmello-numsei-naosei-naumsei-sei-gif-4519687